Depressão, doença da era moderna

  • 24/05/2017
  • por Clínica Vivacità
  • em Artigos
  • Saúde Mental

Estima-se que no mundo a Depressão acomete a media de 17% da população global, já no Brasil afeta 36 milhões de pessoas. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), revelam que até o ano 2020 será tão comum quanto a Dorsalgia (dor nas costas), hoje já representa a segunda causa de perda de qualidade de vida.

Na hora de definir o Transtorno Depressivo Maior, o Manual  Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM V) da American Psychiatric Association, se auxilia de critérios diagnósticos para identificação e classificação do mesmo, sendo indispensável a presença de cinco ou mais dos sintomas posteriormente descritos durante o período mínimo de duas semanas, representando uma mudança de humor com relação ao estado pre mórbido( antes da doença) do paciente.

A grandes rasgos, se citam sintomas como : Humor deprimido, acentuada diminuição do interesse ou prazer em todas ou quase todas as atividades, perda ou ganho significativo de peso, insônia ou hipersonia, agitação ou retardo psicomotor, fadiga ou perda de energia, sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva, capacidade diminuída de pensar ou se concentrar, pensamentos recorrentes de morte. Estes sintomas devem de gerar sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, ocupacional e em outras áreas, não deve ser atribuído a efeitos de substancias, nem outras condições clínicas, devem ser excluídas a presença de
outras comorbidades (doenças) psiquiátricas que justifiquem o quadro e por ultimo ser descartada a ocorrência anterior de episódios de mania(Exaltação do humor).

Resumindo , a depressão é a incapacidade de sentir prazer, de se sentir feliz, independente de haver ou não motivo para isso. Geralmente a procura de ajuda especializada é tardia, pois os sintomas são atribuídos erroneamente a doenças de origem somáticas. Segundo dados estatísticos, mulheres tem duas vezes mais probabilidades de sofrer de depressão, isto justificado pelas mudanças hormonais durante as diferentes fases da vida. Fato semelhante acontece nos idosos, devido a fatores como : aposentadoria, forma de lidar com a morte, comorbidades clinicas que podem causar sequelas ou limitações físicas, dentre outros.

A Síndrome Depressiva, desde o ponto de vista etiológico(origem) , é multifatorial, destacam-se: a predisposição genética, alterações da neurotransmissão cerebral, estressores psicossociais e muitas vezes o surgimento do quadro não esta relacionado a uma causa aparente.

A abordagem do tratamento e muito variável, o uso de antidepressivos, nos casos moderados e graves é mandatório, sendo os casos leves abordados com psicoterapia, que também constitui um adjuvante importante em todos os estágios e graus da depressão. Existem estudos estatísticos que revelam que a melhor evolução, prognóstico, resolução e remissão do quadro se dá com a combinação das duas modalidades (terapia medicamentosa e psicoterapia). Entre outros medicamentos que podem ser utilizados como auxiliares do tratamento, tendo em conta a apresentação e a gravidade, citam-se: benzodiazepínicos, hipnóticos e antipsicótico. A Eletroconvulsoterapia (ECT), tem suas indicações especificas e a Estimulação Eletromagnética Transcraneana Superficial,  aprovada pelo CFM (Conselho Federal de Medicina) mediante a Resolução 1.986/2012 ,para utilização na prática médica nacional, com indicação para depressão uni e bipolar, alucinações auditivas, nas Esquizofrenias e planejamento de neurocirurgias.

E importante frisar, que os pacientes devem ser comunicados com relação ao começo do efeito dos medicamentos, no período de 10 ate 15 dias, explicar os efeitos colaterais mais frequentes e a duração do tratamento, que pode variar de 6 meses à  toda a vida, dependendo do caso. O preço do medicamento, os efeitos colaterais, acessibilidade, a rede social e familiar de apoio, são fatores que contribuem para a adequada adesão ao processo terapêutico e secundariamente garantem melhores resultados, reduzindo o risco de recaídas.

Por ultimo e importante destacar que manter uma vida saudável, saber como administrar o nosso tempo para as atividades produtivas e para o lazer, aprender a lidar com os problemas do dia a dia com mais leveza, ser menos auto exigentes (auto cobrança), são sem dúvidas, formas eficazes de prevenir o instauração desta doença devastadora.

Ernesto Gil Buchillón CRM 14.798 DF

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